Para não parar de pensar

Resultados da reunião com o reitor 2.0 – Fim

Há um ano deveria ter postado o vídeo abaixo. Ele mostra que a reunião com o ex-reitor Luiz Cláudio Costa deu certo. Os alunos do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa (MG) ganharam um novo laboratório. O telhado foi totalmente trocado; a garagem foi ampliada, reformada e se tornou um ambiente de interação para os estudantes; recebemos muitos equipamentos novos; a casa foi totalmente pintada; o piso foi trocado; etc.

Gostaria de lembrar que o laboratório é um paleativo. O curso precisa e merece de um prédio com uma infraestrutura maior e mais completa. Para isso, cabe ao Chefe do Departamento de Comunicação e ao Coordenador do Curso cobrarem e negociarem com atual reitoria.

-x-

Hoje, Luiz Cláudio Costa é Secretário da Educação Superior do MEC, um cargo que tem status de ministro. Espero que sua gestão seja tão boa quanto a realizada na UFV.

 

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Resultados da reunião com o reitor 2.0

No último post falei da reunião marcada pelo @Luizclaudioufv, o reitor 2.0, para ele conhecer e ver as condições do Laboratório de Jornalismo da UFV.

Hoje, 13h30, foi o dia do encontro. Conforme o combinado, todos apareceram no LabJor no horário: o reitor, representantes do setor de obras da UFV, os professores do curso, a chefe do Departamento de Artes e Humanidades (DAH), o chefe do Centro de Ciências Humanas (CCH), nosso representante discente, integrantes do Centro Acadêmico de Comunicação e eu.

Tudo aconteceu muito rápido, mas mesmo assim tivemos boas notícias. Entramos no laboratório e, a cada  cômodo da casa, mostramos os problemas a serem solucionados e as nossas demandas. Simples assim: quando falamos da estrutura da casa, o reitor pediu ao encarregado das obras na UFV para abrir licitação e contratar o pessoal para o serviço – será uma reforma simples, pra tornar o ambiente habitável, nada de modificação nas estruturas.

Quanto aos equipamentos, os computadores e ilhas de edição serão trocados por outros bons e novos. Comprarão os softwares necessários para edição, diagramação e redação. Livros novos. Seis câmeras profissional digitais (Nikon D90). Internet wireless. Um telefone que aceita ligações interurbanas e outro dentro do estúdio de rádio para fazermos entrevistas. Fitas DV para as duas filmadoras paradas. Verba para serem produzidos 10 jornais laboratório. Alguns equipamentos irão para manutenção.

Também teremos verba para trazer pessoas de fora para realizar eventos de comunicação.

Por enquanto não teremos novos técnicos para ajudar no laboratório, mas o problema de abre e fecha do LabJor foi solucionado com a contratação de uma secretária.

A melhor notícia, sem dúvida, foi a da construção de uma nova sede para o curso. Segundo o reitor, enquanto a reforma do LabJor acontece, teremos uma sede sendo construída para nós em um outro local – a única ressalva foi que quando ela ficasse pronta, o curso liberaria o laboratório.

Mas para tudo acontecer teremos que cobrar a todos os professores e ao  chefe do CCH, senão nada vai sair do papel.

Basicamente foi isso, não lembro de tudo.

O discurso foi dado e eu acreditei. Hoje todo mundo saiu muito otimista, mas só vou comemorar de verdade quando começar a ver as coisas acontecerem.

Sorte para nós!

PS: No final, quando tínhamos pedido tudo, o reitor ainda brincou:

– Só faltou um cafézinho.

E o Luan repondeu:

– Luiz, esqueceu de pedir a máquina de café!?

Boas risadas.

Twitter: começando um diálogo

Vi muitos casos interessantes acontecerem no e por causa do Twitter. Gente que fala demais, gente que fala de menos, promoções, divulgação de eventos, amizades, gente querendo aparecer, ofertas de emprego, estágios, politicagem, reclamações e mais um tanto de coisa.

Mas essa sexta acabou se tornando um dia marcante, pelo menos para mim e para os alunos de Comunicação Social/Jornalismo da UFV. Acontece que nosso curso não é tão valorizado quanto os cursos de agrárias e as engenharias, o que acaba refletindo na estrutura e nos nossos equipamentos. Só pra começar, não temos um departamento, nosso laboratório – o LabJor – tem muitas infiltrações, ar condicionado que não funciona, espaços mal utilizados (para não falar não utilizados), duas ilhas de edição linear dos anos 80, duas filmadoras para cerca de 160 alunos, várias câmeras fotográficas analógicas e digitais e computadores* que não suportam os softwares básicos para trabalhar tranquilamente com diagramação, edição de vídeo, de imagem e texto (tudo bem, o último até que dá).

ilhainfiltracaofio

Mas hoje aconteceu uma coisa muito interessante e que trouxe boas expectativas para o nosso curso. Recentemente o reitor da UFV, Luiz Cláudio Costa, criou um Twitter. Simplesmente incrível, nunca imaginaria isso acontecendo! Para melhorar decidi mandar uma foto-desabafo do LabJor para ele através do microblog, afinal, se antes era difícil chegar ao reitor fisicamente, agora ele se tornou acessível, pelo menos na rede.

A foto foi tirada pela @samnogueira (que por acaso é minha namorada) no último semestre. Depois de ver a barata na parede, ela decidiu fotografar os problemas do laboratório para usarmos de alguma maneira.

Twitter - Welington Gonzaga- @luiznemer E isso vem de l ..._1249700252286Uns amigos tuitaram sobre a situação do @comufv, do LabJor e pronto, achei que acabaria ali. Me enganei. Fui almoçar e Twitter - luiza lafuente- @luiznemer hehehe que boni ..._1249700436012quando cheguei em casa olhei meu email. Lá estava uma Direct Message do @Luizclaudioufv falando que ele iria visitar o laboraTwitter - Luan Henriques- @luiznemer mostrando a fac ..._1249700334553tório de jornalismo na próxima semana. Fiquei muito feliz. Mais tarde o @carlosdand mandou um email falando que a reunião foi marcarda para quarta-feira. Aquela DM não foi para me consolar, o reitor marcou a reunião de verdade!

Não sei o que vai acontecer a partir de quarta, pode ser que dê tudo certo ou que dê tudo errado. O fato é que o Twitter burlou a burocracia, levou a mensagem de um aluno para o reitor sem intermediários e o melhor, agora temos uma oportunidade de mostrar a ele que o curso de Comunicação é importante e precisa de mais investimento.

Até quarta.

Os ministros se precipitaram?

Ontem li mais textos sobre a não-obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Incrível como tem gente argumentando muito bem – e mal – de ambos os lados. No tópico “O diploma, as novas mídias e as velhas cabeças” da lista dos Jornalistas da Web encontrei um texto/comentário muito bem escrito de Charles Pilger. Nele tem um trecho que diz:

Quero lembrar aqui que, além dos Estados Unidos, o diploma de jornalismo não é obrigatório em países como França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Japão, Suíça, Irlanda, Suécia, Holanda, Itália, Áustria, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Polônia, Hungria, Luxemburgo, Argentina, Austrália e Chile, dentre muitos outros. E que tanto o jornalismo quanto os jornalistas sobrevivem por lá. Como? Esta é a questão que deveríamos estar discutindo há muito tempo.

A partir daí comecei a pensar se já não estava na hora do Brasil se espelhar nesses países (que por sinal, são quase todos desenvolvidos), afinal, se lá funciona, aqui pode funcionar também. Ou não.

Será que realmente o jornalismo vai melhorar?

O Brasil não tem uma educação tão boa quanto a maioria dos países acima e acho que isso influencia na ética dos trabalhadores daqui, jornalistas ou não-jornalistas. Pensar, por exemplo, que o newspaper está acabando aqui, assim como tem acontecido nos EUA, pode ser um erro. Não é porque a realidade de lá é uma, que ela funciona no nosso país também. Ainda temos muito o que crescer e talvez não era a hora certa de acabar com a obrigatoriedade do diploma. Concordo com o Pilger: esta é a questão que deveríamos estar discutindo há muito tempo.

Gostaria muito que a decisão do STF marcasse o início de um novo jornalismo, mais bem feito, ético, inteligente, crítico e relevante. Acredito que muitas pessoas sem formação acadêmica em jornalismo sejam capazes de produzir boas reportagens. Espero que nossos queridos ministros não tenham se precipitado. Ou então pode ser que eu não tenha percebido que já estava na hora de o jornalismo brasileiro passar por essa mudança.  Tomara que seja isso.

PS: Ouvi falar que a mídia não influencia diretamente a vida das pessoas.

Diploma, jornalismo e preocupações

Que bom momento para criar (mais) um blog. Grandes jornais fechando no exterior,  um mercado em crise e cada vez mais competitivo, matérias superficiais e cheias de problemas, muito jornalismo sensacionalista, a internet modificando o fazer jornalístico (e outras coisas, a indústria fonográfica que o diga) e agora, o fim do diploma para ser jornalista.

Dia 17 de junho de 2009. Após três dias do STF acabar com a obrigatoriedade do diploma de jornalismo e depois de ler, ouvir, assistir e consolar muito sobre o assunto, tive que escrever em algum lugar. charge fim diploma

Vi em vários sites a indignação de jornalistas e não-jornalistas. Em outros, a aprovação. Por muito tempo fiquei sem saber de que lado ficar, mas começo a me ver insatisfeito com a decisão.

Afinal, quais serão as consequências?

Ainda não dá pra saber, mas podemos tentar prever alguma coisa. Os salários de jornalistas diminuirão? Talvez. Se pensarmos economicamente, quando a oferta aumenta, o preço diminui. Mesmo assim, o que garante que engenheiros, médicos e advogados tomarão nossas vagas? Na teoria, eles ganham mais do que vários jornalistas juntos. Com o tempo veremos…

Surgirão cursos técnicos? Já tem muitos espalhados por aí, espero que esses não apareçam mais! E o jornalismo, onde vai parar? Acho que isso é o que todos queremos saber. Teremos um show de sensacionalismo? Há quem diga que é disso que o povo gosta, mas eu prefiro não acreditar.

E o ensino superior?  Estou no quinto período do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFV e me sinto preocupado (pra não dizer inseguro) sobre o meu futuro. Imagino os vestibulandos, que são uma das espécies de ser humano mais desorientadas do planeta. Acho que a maioria não vai querer se arriscar numa profissão que já podem exercer desde que nasceram!

Jornalismo para não-jornalistas

É bem bacana ver jornalistas falando que agora sim as faculdades de jornalismo terão que se reformular, formar profissionais com diferencial, capacitados e preparados para enfrentar qualquer fria (como diz o @narradordaglobo) em vez dos jornalistas deformados e prontos para fazer o que o patrão manda.

Olhando a realidade do meu curso, essa revolução no ensino seria ótima. Mas será que ela vai acontecer? Difícil. Temos dificuldade em contratar um professor, quem dirá trocar todos os docentes ultrapassados por novos. Não conseguimos nem comprar uma fita DV de 100 reais. Obrigado pela utopia, mas por enquanto, nossa (boa) formação vai continuar dependendo grande parte dos nossos esforços pessoais.

Pelo visto não estou em cima do muro, mas ainda estou aberto a discussões sobre o assunto. Só não me venha falar de liberdade de expressão. Já não vivemos numa ditatura (ok, há controvérsias). A internet já mostrou que podemos escrever o que quisermos, não importa se você é jornalista ou cozinheiro.